quarta-feira, 4 de março de 2015

''Maluco Beleza''





A música mais importante da minha adolescência, e que deixou marcas profundas em mim, foi sem dúvidas ''Maluco Beleza''. Raulzito era amigo em horas difíceis nas quais observava a vida dita ''normal'' e percebia que tudo o quanto mais queria era ser ''maluco''.

Ainda não conhecia o conceito de ''normose'' tão belamente descrito por Jean-Yves Leloup, no qual é descrita a patologia da normalidade que nos impede de sermos quem realmente somos. Esse consenso e conformidade que obstam o encaminhamento do desejo no nosso interior, nossa auto-realização. Esse ''medo de enlouquecer, de perder o ego, de perder o que foi construído no ambiente das relações parentais, familiares e sociais''. Imagens construídas de nós mesmos. Rótulos bonitos, mas muitas vezes com recipientes vazios.

Raul Seixas dizia: ''Enquanto você se esforça para ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu do meu lado aprendo a ser louco, um maluco total, na loucura real''.

Optei por ser ''louco'' aos 12 anos. Decidi que não teria uma vida adaptada a padrões que considero inaceitáveis. Sofri enormemente por desejar transcendência, verdade, intensidade, e principalmente amor.

Não existia outro caminho a seguir. Pode ter sido tortuoso, longo, denso, mas que me levou a lampejos de Consciência e abriu as avenidas pelas quais caminho hoje em direção a me auto-realizar.

Para um ''louco'' a superficialidade não é aceitável, a futilidade é algo distante, desonestidade impensável, e a falta de solidariedade inconcebível.

Não é sinônimo de saúde estar adaptado a um contexto social tão doente.

Abençoada seja a loucura do idealismo, regada com amor e consciência de que somos um time e devemos jogar juntos por um objetivo comum! Uma corrente de auto-realização!


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