quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Qual presente você quer ser de Natal?


O habitual nessa época é respondermos qual presente queremos ganhar no final do ano. O título inusitado é, portanto, uma provocação, contudo sem qualquer pretensão de criticar comportamentos, mas apenas estimular reflexões.

Não se sabe ao certo quando, ou de qual maneira, a figura excelsa de Jesus e sua mensagem de autorrealização foi substituída pelo velhinho de barbas brancas que distribui presentes, mas o fato é que o Papai Noel foi convertido em símbolo do consumismo desenfreado que impera na sociedade contemporânea, apesar de sua origem e essência ser sinônimo de generosidade.

Não trato aqui do consumo sustentável de bens que promovem saúde e bem-estar ao ser humano e que muito contribuem para o avanço da nossa sociedade. Refiro-me ao excesso de bens desnecessários, inúteis ou supérfluos, que esgotam gradativamente os recursos não renováveis do nosso planeta.

Observo atentamente, desde os primeiros dias de cada dezembro, a construção de um ambiente de ansiedade generalizada, sendo tarefa fácil observar o alto nível de irritabilidade que toma conta de grande parte da população nesse período, não obstante forte tendência a prática de gestos altruístas. Aspectos contraditórios dos seres humanos, tão complexos e intrigantes.

A ilusão que promove a busca pela realização pessoal através de objetos/coisas externas representa a antítese de uma das maiores máximas propagadas por Cristo: o autoconhecimento. Jesus, por sua vez, ensina que conhecer a si mesmo é uma tarefa individual, não obstante o fato de que as maiores oportunidades de crescimento ofertadas pela vida são as relações interpessoais.

O processo de desenvolvimento se dá pelo aprofundamento dos princípios éticos do indivíduo e sua relação construtiva com o mundo, de modo que à medida que tomamos consciência de nossas potencialidades e as projetamos externamente, crescemos e inspiramos o crescimento de outros.

Nesse sentido, considerando o forte simbolismo natalino, e partindo do pressuposto que a realidade que nos cerca é o reflexo fidedigno dos nossos pensamentos, palavras e ações, proponho que você se converta na mudança que deseja ver mundo, como ensinou com propriedade o Mahatma Gandhi.

Este é o maior presente que o indivíduo pode dar a si mesmo e aos que o cercam, pois a construção do caráter é conquista permanente da alma, e tem o condão de se propagar de modo imensurável.

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