terça-feira, 27 de maio de 2014

Seriam os Políticos Astronautas?


 

Diariamente observo as pessoas, próximas ou desconhecidas, pessoalmente ou através dos mais diversos canais de comunicação, tecerem duras criticas aos políticos brasileiros. Esse movimento, de fato, é justo. Eles, com raras e honrosas exceções, fazem jus a péssima fama que tem.

 Há pouco tempo peguei um voo para Brasília no qual estavam a bordo da aeronave quatro deputados federais. Não perdi a chance de fazer uma piada: liguei para minha esposa, relatei os nomes dos políticos e disse que estava com medo de entrar no avião com eles, pois o peso ético de suas ações (ou falta delas) poderia fazer a aeronave cair.

Para minha surpresa não havia percebido até então a presença de outro deputado ao meu lado, o qual escutou a conversa, deu um sorriso ”amarelo”, mas não me disse nada, afinal eles próprios sabem que são merecedores desse ”reconhecimento” social.

 Todavia, me parece que boa parte das pessoas que os criticam esquece quem os elegeu. Soa, às vezes, para mim, que a sociedade brasileira os considera astronautas que desceram em suas naves espaciais para ocupar o congresso nacional, as assembleias legislativas, câmaras municipais, além dos cargos executivos. Assim, os políticos seriam seres desprezíveis vindos de outros planetas, moralmente inferiores a população terrena e, especialmente, a brasileira.

Nada disso. Eles são a fiel representação da ética vigente nesse país. Legítimos representantes de uma maioria da população que demonstra suas chagas morais diariamente, as quais vão desde não respeitar filas ou ligar um som alto incomodando os vizinhos, até fraudar licitação, promover sonegação fiscal, dar o cafezinho do guarda, ou simplesmente trair seu cônjuge. Nem vale a pena justificar meus argumentos com mais exemplos, pois pululam aos olhos de quem quiser enxergar.

 Eles, que tem acesso ao poder, demonstram sua falta de probidade em maior proporção. Apenas isso.

 O mesmo raciocínio se aplica à polícia, como se os militares fossem seres a parte da criação, ou no sentido inverso com os médicos, juízes e membros do Ministério Público, que socialmente são vistos como probos, comprometidos e eficientes, não obstante boa parte dos integrantes das classes não ser.

No tempo em que ainda frequentava bares, ao conferir a conta, observei que o garçom havia esquecido de somar uma caipirosca e pedi que ele acrescentasse. Resultado: fui agredido verbalmente por todos que estavam na mesa, pois havia sido um otário, babaca. A mulher que havia consumido a bebida ficou tão indignada comigo que acabei pagando seu ”prejuízo”.

Curiosidade: minutos antes os integrantes da mesa em peso criticavam o então Presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti pelas medidas absurdas e antiéticas tomadas ao assumir a função.

Assim, temos que admitir, infelizmente, que a maior parte da população brasileira está muito bem representada. Àqueles que destoam desse contexto faço um apelo: dê o exemplo em suas vidas e ajude a educar, com ações, as pessoas ao seu redor.


 Assim, num futuro próximo, poderemos ter homens e mulheres éticos e comprometidos nos representando dignamente na política.

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