sexta-feira, 5 de junho de 2015

A Rosa e a Estrela




Era uma vez um pequeno príncipe que irradiava luz como uma bela estrelinha...Esse nobre espírito vivia sozinho num diminuto planeta e seu passatempo predileto constituía-se em admirar o sol e a lua.

Era muito observador e acostumado com as plantas. Sempre que um broto ascendia da terra o analisava cuidadosamente, a fim de regar os bons e cortar os danosos pela raiz.

Um dia notou o desabrochar de uma semente que nunca havia visto. Percebeu que se tratava de algo especial e aguardou cautelosamente o desabrochar daquela vida, até que chegou o momento de uma bela rosa se abrir perante seus olhos e encantar-lhe a alma. Era uma flor especial, de uma beleza que não existia em seu planeta.

O pequeno príncipe e a rosa de pronto se apaixonaram, mas logo começaram os problemas: a rosa não permitia ser amada profundamente e a estrelinha não sabia o que fazer para alcançar a essência da linda flor. Nosso garotinho, portanto, deixou seu pequeno planeta, e, por conseguinte, sua rosa. Foi buscar aprendizado sobre amor em outros locais. Quem sabe não encontraria uma solução? A rosinha, por seu turno, ficou na companhia das borboletas.

Após muito viajar, o pequeno príncipe chegou ao planeta Terra, e ao contemplar um jardim, observou diversas rosas, parecidas com a sua rosa, que nunca lhe saía da mente e, principalmente, do coração. Descobriu nesse momento que haviam muitas outras rosas, mas percebeu, porém, que lhes faltava algo. Não compreendia bem...

Em meio às suas reflexões conheceu uma raposa. Animal astuto, sábio. O príncipe, saudoso de sua florzinha, estava triste, e pediu a raposa para brincar com ele:

– Não posso, disse a raposa. Você não me cativou...

A estrelinha não sabia que cativar significa criar vínculos, profundos, reais. Os seres humanos dificilmente cativam uns aos outros... Ao ouvir a explicação da raposa o pequeno príncipe percebeu que havia sido cativado pela rosa, e por isso ela era tão especial em meio a milhões e milhões de flores...

O essencial é invisível aos olhos, compreendeu o pequeno príncipe. Apenas o coração capta a essência e apenas quando cativamos o outro percebemos como ele o é de verdade.

- Lembre-se, disse a raposa, tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

A estrelinha, sentindo-se responsável pela sua rosa, entristeceu-se por ter deixado-lhe sozinha, desprotegida.

– Ah, mas ela tem alguns espinhos para se defender e a companhia das borboletas, pensou. Por um instante esse pensamento o acalentou e assim seguiu olhando o horizonte na espera dos mistérios que virão...

Sempre que olha o céu, o pequeno príncipe imagina o seu planeta e alegra-se por amar uma rosa tão especial, afinal, como ele mesmo diz: ''Se alguém ama uma flor da qual existe um único exemplar dentre milhões e milhões de estrelas, isso não basta para fazê-lo feliz ao contemplá-la? Minha flor está lá em algum lugar...''


Quanto a rosa, quem saberá se ao olhar o céu também procura a estrelinha? Não importa. Só quem ama de verdade uma rosa poderá compreender o pequeno príncipe.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Vislumbres de Esperança


Sonho, pois sou poeta
E a poesia se alimenta de sonhos.
Livre, portanto, sou para sonhar.
O sonho mais nobre,
O mais infantil,
O mais difícil...
O impossível,
Não importa.
Plena é minha liberdade,
Pois o sonhar se ampara no coração,
E meu coração é livre.

Tenho esperança,
Pois amo estar vivo.
Viver sem esperanças é morrer em vida.
E a morte não é uma opção para o espírito.
Esperar é vislumbrar,
Vislumbres além do usual,
Da ética da alma,
Da estética natural,
A Espiritualidade essencial.
Excelsas canções de paz.


sábado, 14 de março de 2015



Nossa profunda gratidão a esse ser excelso que viveu a vida espalhando a beleza! Amor, sabedoria, humildade, entrega, paixão...Nem mil palavras podem definir um ser tão especial!

Por suas frases, pensamentos, traduções, e principalmente pelo exemplo, lhe reverencio como um espelho!

Muita paz professor!

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/03/professor-hermogenes-precursor-do-ioga-no-brasil-morre-no-rio.html

quarta-feira, 4 de março de 2015

''Maluco Beleza''





A música mais importante da minha adolescência, e que deixou marcas profundas em mim, foi sem dúvidas ''Maluco Beleza''. Raulzito era amigo em horas difíceis nas quais observava a vida dita ''normal'' e percebia que tudo o quanto mais queria era ser ''maluco''.

Ainda não conhecia o conceito de ''normose'' tão belamente descrito por Jean-Yves Leloup, no qual é descrita a patologia da normalidade que nos impede de sermos quem realmente somos. Esse consenso e conformidade que obstam o encaminhamento do desejo no nosso interior, nossa auto-realização. Esse ''medo de enlouquecer, de perder o ego, de perder o que foi construído no ambiente das relações parentais, familiares e sociais''. Imagens construídas de nós mesmos. Rótulos bonitos, mas muitas vezes com recipientes vazios.

Raul Seixas dizia: ''Enquanto você se esforça para ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu do meu lado aprendo a ser louco, um maluco total, na loucura real''.

Optei por ser ''louco'' aos 12 anos. Decidi que não teria uma vida adaptada a padrões que considero inaceitáveis. Sofri enormemente por desejar transcendência, verdade, intensidade, e principalmente amor.

Não existia outro caminho a seguir. Pode ter sido tortuoso, longo, denso, mas que me levou a lampejos de Consciência e abriu as avenidas pelas quais caminho hoje em direção a me auto-realizar.

Para um ''louco'' a superficialidade não é aceitável, a futilidade é algo distante, desonestidade impensável, e a falta de solidariedade inconcebível.

Não é sinônimo de saúde estar adaptado a um contexto social tão doente.

Abençoada seja a loucura do idealismo, regada com amor e consciência de que somos um time e devemos jogar juntos por um objetivo comum! Uma corrente de auto-realização!


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Ah, essa Ética


Palavra incrível. Penso que é uma habilidosa mestra, pois sabiamente nos envolve em conflitos, por vezes, extremamente desafiadores. Experiências lapidadoras que espelham o caráter do indivíduo.

A ética, como bem colocada pelo filósofo Mario Sérgio Cortella, pode ser definida como o conjunto de princípios e valores sociais e culturais, religiosos, ou não, que os seres humanos utilizam para responder a três perguntas fundamentais da vida: Quero? Posso? Devo?

O querer é a base, pois sem vontade não existe conflito: o indivíduo simplesmente não pratica qualquer ato.

Todavia, no momento em que o desejo de praticar uma ação existe, somos remetidos ao segundo aspecto: posso? Até aí tranquilo, pois havendo vontade, sem, contudo, possibilidade, solucionada se encontra a questão.

Porém, quando quero algo, e posso realizá-lo, exsurge a pergunta chave: devo? Eis aí onde são instalados os conflitos do Ser. Nesse momento temos a possibilidade de refletir sobre nosso caráter, sem máscaras, e direcionar os rumos de nossas vidas.

O dharma, ou retidão, baseia-se na premissa tão bem ensinada por Jesus de que só devemos fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem. Leia-se, outros, não apenas indivíduos, mas de forma ampla a sociedade.

A ética existe, apenas, quando o que eu quero é aquilo que posso e devo: eis a consciência tranquila. Nem o amor pode ser cúmplice da ilicitude. Não, nem o maior dos sentimentos, essência da vida, é capaz de justificar a conduta antiética.

Todavia, a ética é um mundo infinito de possibilidades, pois o não devo quase sempre pode ser transmutado em licitude através de outras ações éticas.

Eis um jogo lindo e desafiador.

Linha da Vida




Linha da Vida


Tracei formas no infinito,
Geometria sagrada,
Sem limites como uma valsa,
Expansão da alma.

Retas e curvas,
Chegadas e partidas,
Convergências e divergências.
Amores, dessabores,
Alegrias, tristezas,
Paz, mas também inquietação.

Linha da vida, caminhos improváveis.
Destino, algo incerto.
Entrega, dinâmica inevitável.
Escolhas, grandes desafios.
Missão, desejo,
Espelho, conflito,
Ética, paixão.

Convergência do acaso,
Divergência da vida,
Presença, Ausência,
Sintonia, obstáculos
Sonho da alma...
Amor, objeto do sonho.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Um canto à poesia





Um canto à poesia


O poeta sonha, pois sonhar é transcender a realidade instável,
Jogo da vida, arte Divina.
Chora, pois sua alma busca elevação,
Destino final do vencedor.
Ri, pois o riso é expressão de paz,
Felicidade, essência da vida...
Confia, pois confiar é amar,
E o amor é Deus.
Entrega, pois entregar é um desafio,
E para a poesia não existem limites.

A arte desliza suave na imensidão do inconsciente,
Bússola interna que impulsiona a livre expressão.
Materializa-se através da caneta do sonhador,
Insigne instrumento que traduz a criatividade da alma numa folha,
E encanta corações ressonantes.

Sublime é encantar-se com a vida,
Sonhar o sonho bom,
Viver em paz no presente
E aberto para o futuro,
Que sempre será agora...

Ah, o que seria do mundo sem a poesia?
O que seria a vida sem música?
E o que seríamos nós sem o sentir?
Viveríamos sem a mais perfeita tradução...

Mergulho profundo, brandura,
Deleite, leveza, emoção...
Eis aqui um singelo canto à poesia,
Emanação sublime do coração.