segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Autoconfiança e Fé


Autoconfiança advém da convicção intima da caminhada reta e segura em direção ao alcance dos objetivos mais nobres da alma.

Essa guiança interior, contudo, somente encontra o ambiente necessário para florescer a partir do autoconhecimento: processo individual, conquista do espírito, tarefa intransferível.

À medida que nos conhecemos caminhamos em direção a Deus. É difícil caminhar para dentro de si, pois requer coragem para trazer à tona aquilo que somos de verdade por trás das máscaras utilizadas nas relações com as pessoas e o mundo.

Faz-se necessário o despir-se, tirar os véus, um por um, de forma gradativa e segura, pois à medida que estes caem, começa a germinar uma semente que a princípio é pequena, menor que um grão de mostarda, mas que aos poucos cresce e ganha consistência. Seu nome é fé. Não a fé exterior, irracional, baseada em crenças e suposições, adquirida a partir de livros sagrados, ou não.

Refiro-me à fé baseada na experiência pessoal, cuja base é a Consciência. Aquela fé capaz de confrontar a razão e coexistir com o claro intelecto. A fé realizadora, impulsionadora de obras e missões. A fé de Gandhi, de Madre Tereza, a fé de Mandela. A sua fé, a minha fé, a fé à disposição de cada um.

Uma fé que não admite nada como sendo sobrenatural, mas que investiga as causas ainda desconhecidas dos fenômenos ocultos da vida.

A fé que se sustenta na noção de responsabilidade pessoal perante si mesmo e a sociedade.

Desenvolva-se e desenvolva a fé.

domingo, 6 de setembro de 2015

Meditação


Meditar é fazer como o Lótus que mergulha suas raízes no lodo e a partir dele descobre os substratos necessários para brotar uma flor de esplendorosa beleza.

O lodo, no ser humano, representa as nossas sombras. Sombra enquanto aquilo que desconhecemos em nós mesmos, sejam estes aspectos agradáveis que clamam por serem potencializados ou desagradáveis que necessitam ser reconhecidos, integrados e posteriormente sublimados.

Este processo de autoconhecimento é individual, solitário e por vezes doloroso. Transmuta-se, todavia, em pouco tempo, numa paz até então desconhecida e uma alegria que provém do reconhecimento gradativo do Deus interno que em sua essência é Ananda, ou Bem-aventurança para os ocidentais.

Sempre que a vida oferta para meu próprio crescimento dificuldades e desafios cada vez maiores, o recolher-me em mim mesmo faz emergir força, clareza mental e autoconfiança em maior proporção, ainda que momentos de melancolia e irritação por vezes existam. Estes, por seu turno, se apresentam cada vez menores e menos significativos em relação ao estado predominante de saúde integral.

Fazemos coro com Chico Xavier quando afirma que o Yoga é a maior benção que a providência divina concedeu aos seres humanos para seu próprio crescimento, e finalizamos essas breves linhas vibrando para que o interesse do mundo ocidental pela meditação cresça em projeção geométrica, a fim de que o processo de transmutação desse pequeno planeta seja impulsionado pela alquimia individual das consciências em amor.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A Rosa e a Estrela




Era uma vez um pequeno príncipe que irradiava luz como uma bela estrelinha...Esse nobre espírito vivia sozinho num diminuto planeta e seu passatempo predileto constituía-se em admirar o sol e a lua.

Era muito observador e acostumado com as plantas. Sempre que um broto ascendia da terra o analisava cuidadosamente, a fim de regar os bons e cortar os danosos pela raiz.

Um dia notou o desabrochar de uma semente que nunca havia visto. Percebeu que se tratava de algo especial e aguardou cautelosamente o desabrochar daquela vida, até que chegou o momento de uma bela rosa se abrir perante seus olhos e encantar-lhe a alma. Era uma flor especial, de uma beleza que não existia em seu planeta.

O pequeno príncipe e a rosa de pronto se apaixonaram, mas logo começaram os problemas: a rosa não permitia ser amada profundamente e a estrelinha não sabia o que fazer para alcançar a essência da linda flor. Nosso garotinho, portanto, deixou seu pequeno planeta, e, por conseguinte, sua rosa. Foi buscar aprendizado sobre amor em outros locais. Quem sabe não encontraria uma solução? A rosinha, por seu turno, ficou na companhia das borboletas.

Após muito viajar, o pequeno príncipe chegou ao planeta Terra, e ao contemplar um jardim, observou diversas rosas, parecidas com a sua rosa, que nunca lhe saía da mente e, principalmente, do coração. Descobriu nesse momento que haviam muitas outras rosas, mas percebeu, porém, que lhes faltava algo. Não compreendia bem...

Em meio às suas reflexões conheceu uma raposa. Animal astuto, sábio. O príncipe, saudoso de sua florzinha, estava triste, e pediu a raposa para brincar com ele:

– Não posso, disse a raposa. Você não me cativou...

A estrelinha não sabia que cativar significa criar vínculos, profundos, reais. Os seres humanos dificilmente cativam uns aos outros... Ao ouvir a explicação da raposa o pequeno príncipe percebeu que havia sido cativado pela rosa, e por isso ela era tão especial em meio a milhões e milhões de flores...

O essencial é invisível aos olhos, compreendeu o pequeno príncipe. Apenas o coração capta a essência e apenas quando cativamos o outro percebemos como ele o é de verdade.

- Lembre-se, disse a raposa, tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

A estrelinha, sentindo-se responsável pela sua rosa, entristeceu-se por ter deixado-lhe sozinha, desprotegida.

– Ah, mas ela tem alguns espinhos para se defender e a companhia das borboletas, pensou. Por um instante esse pensamento o acalentou e assim seguiu olhando o horizonte na espera dos mistérios que virão...

Sempre que olha o céu, o pequeno príncipe imagina o seu planeta e alegra-se por amar uma rosa tão especial, afinal, como ele mesmo diz: ''Se alguém ama uma flor da qual existe um único exemplar dentre milhões e milhões de estrelas, isso não basta para fazê-lo feliz ao contemplá-la? Minha flor está lá em algum lugar...''


Quanto a rosa, quem saberá se ao olhar o céu também procura a estrelinha? Não importa. Só quem ama de verdade uma rosa poderá compreender o pequeno príncipe.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Vislumbres de Esperança


Sonho, pois sou poeta
E a poesia se alimenta de sonhos.
Livre, portanto, sou para sonhar.
O sonho mais nobre,
O mais infantil,
O mais difícil...
O impossível,
Não importa.
Plena é minha liberdade,
Pois o sonhar se ampara no coração,
E meu coração é livre.

Tenho esperança,
Pois amo estar vivo.
Viver sem esperanças é morrer em vida.
E a morte não é uma opção para o espírito.
Esperar é vislumbrar,
Vislumbres além do usual,
Da ética da alma,
Da estética natural,
A Espiritualidade essencial.
Excelsas canções de paz.


sábado, 14 de março de 2015



Nossa profunda gratidão a esse ser excelso que viveu a vida espalhando a beleza! Amor, sabedoria, humildade, entrega, paixão...Nem mil palavras podem definir um ser tão especial!

Por suas frases, pensamentos, traduções, e principalmente pelo exemplo, lhe reverencio como um espelho!

Muita paz professor!

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/03/professor-hermogenes-precursor-do-ioga-no-brasil-morre-no-rio.html

quarta-feira, 4 de março de 2015

''Maluco Beleza''





A música mais importante da minha adolescência, e que deixou marcas profundas em mim, foi sem dúvidas ''Maluco Beleza''. Raulzito era amigo em horas difíceis nas quais observava a vida dita ''normal'' e percebia que tudo o quanto mais queria era ser ''maluco''.

Ainda não conhecia o conceito de ''normose'' tão belamente descrito por Jean-Yves Leloup, no qual é descrita a patologia da normalidade que nos impede de sermos quem realmente somos. Esse consenso e conformidade que obstam o encaminhamento do desejo no nosso interior, nossa auto-realização. Esse ''medo de enlouquecer, de perder o ego, de perder o que foi construído no ambiente das relações parentais, familiares e sociais''. Imagens construídas de nós mesmos. Rótulos bonitos, mas muitas vezes com recipientes vazios.

Raul Seixas dizia: ''Enquanto você se esforça para ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu do meu lado aprendo a ser louco, um maluco total, na loucura real''.

Optei por ser ''louco'' aos 12 anos. Decidi que não teria uma vida adaptada a padrões que considero inaceitáveis. Sofri enormemente por desejar transcendência, verdade, intensidade, e principalmente amor.

Não existia outro caminho a seguir. Pode ter sido tortuoso, longo, denso, mas que me levou a lampejos de Consciência e abriu as avenidas pelas quais caminho hoje em direção a me auto-realizar.

Para um ''louco'' a superficialidade não é aceitável, a futilidade é algo distante, desonestidade impensável, e a falta de solidariedade inconcebível.

Não é sinônimo de saúde estar adaptado a um contexto social tão doente.

Abençoada seja a loucura do idealismo, regada com amor e consciência de que somos um time e devemos jogar juntos por um objetivo comum! Uma corrente de auto-realização!


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Ah, essa Ética


Palavra incrível. Penso que é uma habilidosa mestra, pois sabiamente nos envolve em conflitos, por vezes, extremamente desafiadores. Experiências lapidadoras que espelham o caráter do indivíduo.

A ética, como bem colocada pelo filósofo Mario Sérgio Cortella, pode ser definida como o conjunto de princípios e valores sociais e culturais, religiosos, ou não, que os seres humanos utilizam para responder a três perguntas fundamentais da vida: Quero? Posso? Devo?

O querer é a base, pois sem vontade não existe conflito: o indivíduo simplesmente não pratica qualquer ato.

Todavia, no momento em que o desejo de praticar uma ação existe, somos remetidos ao segundo aspecto: posso? Até aí tranquilo, pois havendo vontade, sem, contudo, possibilidade, solucionada se encontra a questão.

Porém, quando quero algo, e posso realizá-lo, exsurge a pergunta chave: devo? Eis aí onde são instalados os conflitos do Ser. Nesse momento temos a possibilidade de refletir sobre nosso caráter, sem máscaras, e direcionar os rumos de nossas vidas.

O dharma, ou retidão, baseia-se na premissa tão bem ensinada por Jesus de que só devemos fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem. Leia-se, outros, não apenas indivíduos, mas de forma ampla a sociedade.

A ética existe, apenas, quando o que eu quero é aquilo que posso e devo: eis a consciência tranquila. Nem o amor pode ser cúmplice da ilicitude. Não, nem o maior dos sentimentos, essência da vida, é capaz de justificar a conduta antiética.

Todavia, a ética é um mundo infinito de possibilidades, pois o não devo quase sempre pode ser transmutado em licitude através de outras ações éticas.

Eis um jogo lindo e desafiador.