sábado, 7 de fevereiro de 2015

Ah, essa Ética


Palavra incrível. Penso que é uma habilidosa mestra, pois sabiamente nos envolve em conflitos, por vezes, extremamente desafiadores. Experiências lapidadoras que espelham o caráter do indivíduo.

A ética, como bem colocada pelo filósofo Mario Sérgio Cortella, pode ser definida como o conjunto de princípios e valores sociais e culturais, religiosos, ou não, que os seres humanos utilizam para responder a três perguntas fundamentais da vida: Quero? Posso? Devo?

O querer é a base, pois sem vontade não existe conflito: o indivíduo simplesmente não pratica qualquer ato.

Todavia, no momento em que o desejo de praticar uma ação existe, somos remetidos ao segundo aspecto: posso? Até aí tranquilo, pois havendo vontade, sem, contudo, possibilidade, solucionada se encontra a questão.

Porém, quando quero algo, e posso realizá-lo, exsurge a pergunta chave: devo? Eis aí onde são instalados os conflitos do Ser. Nesse momento temos a possibilidade de refletir sobre nosso caráter, sem máscaras, e direcionar os rumos de nossas vidas.

O dharma, ou retidão, baseia-se na premissa tão bem ensinada por Jesus de que só devemos fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem. Leia-se, outros, não apenas indivíduos, mas de forma ampla a sociedade.

A ética existe, apenas, quando o que eu quero é aquilo que posso e devo: eis a consciência tranquila. Nem o amor pode ser cúmplice da ilicitude. Não, nem o maior dos sentimentos, essência da vida, é capaz de justificar a conduta antiética.

Todavia, a ética é um mundo infinito de possibilidades, pois o não devo quase sempre pode ser transmutado em licitude através de outras ações éticas.

Eis um jogo lindo e desafiador.

Linha da Vida




Linha da Vida


Tracei formas no infinito,
Geometria sagrada,
Sem limites como uma valsa,
Expansão da alma.

Retas e curvas,
Chegadas e partidas,
Convergências e divergências.
Amores, dessabores,
Alegrias, tristezas,
Paz, mas também inquietação.

Linha da vida, caminhos improváveis.
Destino, algo incerto.
Entrega, dinâmica inevitável.
Escolhas, grandes desafios.
Missão, desejo,
Espelho, conflito,
Ética, paixão.

Convergência do acaso,
Divergência da vida,
Presença, Ausência,
Sintonia, obstáculos
Sonho da alma...
Amor, objeto do sonho.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Um canto à poesia





Um canto à poesia


O poeta sonha, pois sonhar é transcender a realidade instável,
Jogo da vida, arte Divina.
Chora, pois sua alma busca elevação,
Destino final do vencedor.
Ri, pois o riso é expressão de paz,
Felicidade, essência da vida...
Confia, pois confiar é amar,
E o amor é Deus.
Entrega, pois entregar é um desafio,
E para a poesia não existem limites.

A arte desliza suave na imensidão do inconsciente,
Bússola interna que impulsiona a livre expressão.
Materializa-se através da caneta do sonhador,
Insigne instrumento que traduz a criatividade da alma numa folha,
E encanta corações ressonantes.

Sublime é encantar-se com a vida,
Sonhar o sonho bom,
Viver em paz no presente
E aberto para o futuro,
Que sempre será agora...

Ah, o que seria do mundo sem a poesia?
O que seria a vida sem música?
E o que seríamos nós sem o sentir?
Viveríamos sem a mais perfeita tradução...

Mergulho profundo, brandura,
Deleite, leveza, emoção...
Eis aqui um singelo canto à poesia,
Emanação sublime do coração.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tesouro

Reflita sobre seus objetivos: se estiverem ressonando em sua alma siga em frente e não desista, pois seu tesouro pode estar bem próximo. ''Onde estiver seu tesouro, lá estará seu coração''.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Qual presente você quer ser de Natal?


O habitual nessa época é respondermos qual presente queremos ganhar no final do ano. O título inusitado é, portanto, uma provocação, contudo sem qualquer pretensão de criticar comportamentos, mas apenas estimular reflexões.

Não se sabe ao certo quando, ou de qual maneira, a figura excelsa de Jesus e sua mensagem de autorrealização foi substituída pelo velhinho de barbas brancas que distribui presentes, mas o fato é que o Papai Noel foi convertido em símbolo do consumismo desenfreado que impera na sociedade contemporânea, apesar de sua origem e essência ser sinônimo de generosidade.

Não trato aqui do consumo sustentável de bens que promovem saúde e bem-estar ao ser humano e que muito contribuem para o avanço da nossa sociedade. Refiro-me ao excesso de bens desnecessários, inúteis ou supérfluos, que esgotam gradativamente os recursos não renováveis do nosso planeta.

Observo atentamente, desde os primeiros dias de cada dezembro, a construção de um ambiente de ansiedade generalizada, sendo tarefa fácil observar o alto nível de irritabilidade que toma conta de grande parte da população nesse período, não obstante forte tendência a prática de gestos altruístas. Aspectos contraditórios dos seres humanos, tão complexos e intrigantes.

A ilusão que promove a busca pela realização pessoal através de objetos/coisas externas representa a antítese de uma das maiores máximas propagadas por Cristo: o autoconhecimento. Jesus, por sua vez, ensina que conhecer a si mesmo é uma tarefa individual, não obstante o fato de que as maiores oportunidades de crescimento ofertadas pela vida são as relações interpessoais.

O processo de desenvolvimento se dá pelo aprofundamento dos princípios éticos do indivíduo e sua relação construtiva com o mundo, de modo que à medida que tomamos consciência de nossas potencialidades e as projetamos externamente, crescemos e inspiramos o crescimento de outros.

Nesse sentido, considerando o forte simbolismo natalino, e partindo do pressuposto que a realidade que nos cerca é o reflexo fidedigno dos nossos pensamentos, palavras e ações, proponho que você se converta na mudança que deseja ver mundo, como ensinou com propriedade o Mahatma Gandhi.

Este é o maior presente que o indivíduo pode dar a si mesmo e aos que o cercam, pois a construção do caráter é conquista permanente da alma, e tem o condão de se propagar de modo imensurável.